Uma peregrinação ao
Líbano os lugares de São Charbel – parte 3 –
O Mosteiro de Annaya
O verão
libanês castigava a montanha de Annaya, no final da manhã de 17 de julho de
2015. Depois de ter visitado o eremitério no alto da montanha, santificado por
mais de vinte anos pelos passos de São Charbel, nosso grupo de turistas
peregrinos vindos do Brasil adentrava no mosteiro de São Marun de Annaya, onde
repousam os restos mortais do santo eremita.Como era a semana da
festa,celebrada no Líbano no domingo próximo ao dia 23 de julho, data da
ordenação sacerdotal do pobre eremita, centenas e centenas de peregrinos
ocupavam cada metro do mosteiro, buscando graças, apresentando súplicas ou
louvando ao Senhor por sua intercessão.
Fomos rapidamente à
capela onde repousam os restos mortais do humilde asceta. Podia sentir no ar
uma atmosfera de fé e entrega à vontade de Deus. Pareceu-me que os peregrinos
buscavam encontra-se com alguém que lhes era muito familiar, a quem podiam recorrer
sem receio; embora restasse apenas seu túmulo, a impressão que tive é que de
algum modo São Charbel estava ali e era possível conversar com ele, pois se
sente sua presença viva. Quando avistei a urna de madeira que guarda suas
preciosas relíquias, na qual estão insculpidas figuras de cedros e cruzes,
veio-me ao coração a palavra do salmista “O justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro no Líbano.
Os que estão plantados na casa do Senhor florescerão nos
átrios do nosso Deus. Na velhice ainda darão frutos;
serão viçosos e vigorosos. (Salmo 92, 12-14)
Estar com São
Charbel é estar com Jesus; sua vida nos lembra a vida do Senhor. Naquele
convento vivera um cedro majestoso, a quem o Senhor concedeu a glória do
Líbano; por suas mãos benditas, como os ramos estendidos do cedro, cheios de
frutos voltados para o alto, São Charbel oferecera quotidianamente ao Senhor
uma santa oblação, pela Eucaristia e pelo trabalho.
Inútil
resistir à emoção e ao desejo de permanecer ali longamente; mas o tempo passava
depressa demais; eram apenas uns lampejos da luz eternal.
Tivemos a
graça ímpar de celebrar ali a santa missa no rito maronita, bem de fronte ao
túmulo de São Charbel; cada palavra das orações que acompanham o divino
sacrifício parecia-me ter um sabor inexplicável. A cada momento eu me lembrava de nossa
paróquia, das pessoas que se aproximam do Senhor por intercessão de São
Charbel; de como seu testemunho silencioso e escondido agora alcançava o mundo.
Depois da
missa, pudemos conhecer o museu e outras partes do mosteiro, que guarda a
memória dos acontecimentos sucedidos em torno do humilde monge, verdadeira luz
que o Senhor permitiu emanasse do oriente e que brilha diante de nós para que
demos glória ao Pai celeste.
Padre Antonio
Bosco da Silva